Não sei vocês, mas sempre fico um pouco deprimida quando alguém diz "uma mulher dessa, é comprometida, com certeza". Eu não sou comprometida e estou longe de estar perto de ter qualquer coisa que se possa chamar de relacionamento, então eu não sou "uma mulher dessa"?
O que é "uma mulher dessa"? É ser bonita, sensual, inteligente, simpática, educada, ter um corpo bonito, ou a junção de tudo isso? Acho que não sou boa o bastante pra ser digna de alguém legal do meu lado. Porque eu continuo sozinha na estrada.
As vezes me pergunto o porquê de estar sempre sozinha. Não vou dizer que nunca tive nenhum tipo de relacionamento, mas tirando os rolos passageiros, meus relacionamentos foram dos mais estranhos aos mais malucos possíveis e não consigo considerar nenhum deles como um namoro de verdade.
Qual o problema comigo? Cuido bem de mim, ou pelo menos tento cuidar enquanto brigo diariamente com o espelho. Procuro ser simpática, educada e legal com as pessoas. Modéstia à parte sou até que inteligente, leio muito, tenho bom gosto pra música. Mas, o que eu mais preciso, me falta... confiança.
Taí, escrever sobre as próprias confusões fazem você mesma descobrir suas respostas. O difícil é saber a justificativa da resposta descoberta. Falta de confiança, insegurança, baixa auto-estima, medo... de quê? Por quê?
Cansei de viver amores platônicos, de sonhar com histórias encantadas, de desejar aquilo que não é meu, de me apaixonar por quem nunca olharia pra mim. Aí está o ponto, eu sempre acho que ninguém nunca vai me notar. Sou idealista sim e acho que esse é meu mal. Vejo tudo com os olhos de uma adolescente doida e inconseqüente, que ainda não se tocou que está com 20 anos nas costas e passou da hora de virar mulher e encarar a realidade como ela é. Me pego em momentos de tamanha intensidade dramática que as vezes acho que sou uma personagem de mim mesma, diariamente treinando meu papel. E minhas várias personas me tornam um tanto quanto bipolar. Mas me sinto ao mesmo tempo em pânico, confusa, perdida e afobada. Quero tudo e não tenho nada. Ou quando quero uma coisa só, ela sempre é algo que eu provavelmente não estou ao alcance de ter. É como se eu vivesse em constante desafio. Talvez eu até goste deles, goste de não poder, de que exista uma proibição. Será que é esse meu problema? Será que tudo que vier fácil ou que mesmo depois de muita luta, eu não vou querer mais? O ser humano é assim, está sempre querendo e nunca totalmente satisfeito. E querendo o quê? Pessoas? Realizar sonhos? Coisas materiais? Que seja.
Mas minha maior obsessão são pessoas. Gosto delas, e às vezes as odeio. Outras ficam no meio termo, mas não gosto de meio-termo, não tem gosto nem personalidade. E gosto é uma coisa importante, gosto de gostar do gosto das pessoas. Entenda como quiser. E só gosto do gosto quando gosto do cheiro. Esse sim, é meu sentido preferido. Ele pode te levar a qualquer lugar, é só fechar os olhos e deixar os sentidos agirem por si só. Eles provocam lembranças, vontades, sorrisos, choros e desejo. Gosto quando o cheiro me provoca desejo, me dá vontade de morder. E gosto de morder. Cada pessoa, cada coisa, cada lugar tem um cheiro diferente. Uma comida pode ser feita duas vezes no mesmo dia, mas alguma coisa no cheiro será diferente. Livros tem cheiros, cada um diferente do outro. Livros, minha segunda obsessão, depois das pessoas, mas talvez eu até trate eles com muito mais carinho e devoção.
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